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O manga no DNA dos japoneses

Às vezes eu escrevo “arte sacra budista” nos textos e fico preocupado com o que o leitor vai sentir. Será que soa pesado? A expressão “arte sacra” sempre me dava uma sensação de baixo astral porque fazia lembrar das imagens que ficavam na parede da igreja onde eu fiz, forçado, a primeira comunhão. Elas mostravam, em sequência, o calvário de cristo. Aos 10 anos de idade, ir na igreja e ver aquelas figuras me causavam pesadelo.

Mas as peças de arte budista que eu passei a admirar visitando templos e museus aqui no Japão transformaram o meu subconsciente com relação à palavra “sacra”. A simbologia é radicalmente oposta. Enquanto no cristianismo a imagem principal é a de um ser humano torturado na cruz, no budismo é a de um homem iluminado na meditação.

Também vejo essas obras de séculos passados, de mais de mil anos, e não é raro ficar pasmado com a contemporaneidade delas. Vivo repetindo para mim mesmo: - Pô, o ancestral que fez isso devia ser maluco demais. É um eterno vanguardista!

Veja, por exemplo, as fotos de uma postagem anterior, da torre do templo Narita-san. Ficar debaixo dela viajando com os - e nos - detalhes da pintura é diversão para um bom tempo. Esses tipos de obras devem ter pirado-parido-nutrido-inspirado um monte de psicodélicos.

Um outro exemplo é o conjunto de esculturas dos Doze Guardiões Divinos, do templo Shin-Yakushi-ji. Esse santuário foi criado no ano 747. Os guardiões formam um círculo em volta da estátua da divindade principal chamada Yakushi-nyorai, protegendo-a dos maus espíritos.

Doze Guardiões Divinos 1

O nome do artista que produziu as estátuas é ignorado, mas... ele devia ser maluco demais! Essas figuras podem ir para os quadrinhos de um manga que ninguém vai achar que foram desenhadas originalmente há mais de 1200 anos.

Quem admira os manga e anime japoneses devem visitar os templos e museus para comprovar que já faz tempo que essa cultura está no DNA dos japoneses.

Doze Guardiões Divinos 2

Doze Guardiões Divinos 3

Doze Guardiões Divinos 4

Doze Guardiões Divinos 5

Doze Guardiões Divinos 6


Além do templo Shin-Yakushi-ji, também se pode ver cópias das estátuas no Nara-Nara Kan (onde as fotos deste post foram tiradas). Ele é um museu com réplicas dos Patrimônios Culturais da Humanidade da província de Nara.
- | 16:52 | comentários (0) | trackbacks (0)

O ipê floresce em Kobe

Marina Matsubara e o ipê florescendo na frente do antigo Centro de Emigração

Nos dias 26 e 27 de abril, aconteceu um grande evento na cidade de Kobe (Hyogo) comemorando a data de partida do navio Kasato Maru, que há cem anos levou o primeiro grupo de emigrantes japoneses para o Brasil.

Não foi possível participar da comemoração por causa de outros compromissos em Tokyo, mas deu para conversar com a Marina Matsubara, presidente da NPO que organizou o evento, a Comunidade Brasileira de Kansai (CBK). Ela também nos apresentou todo o prédio do antigo Centro de Emigração, onde os emigrantes ficavam alojados, recebiam informações e treinamento antes de encarar a longa viagem para o outro lado do planeta.

Esse prédio estava meio abandonado antes da CBK instalar ali a sua sede. E graças ao empenho do grupo, ele passará por uma grande reforma e será transformado em um centro de apoio para os moradores estrangeiros da região, além de museu da emigração, espaço cultural e de convivência.

Fiquei contente em conhecer um pouco mais sobre a atuação da CBK e confirmei a idéia de que a comemoração oficial do Centenário de Emigração Japonesa ao Brasil deveria dar maior ênfase, apoio e recursos para as pessoas e entidades que estão trabalhando diretamente em pró da comunidade brasileira no Japão, como a Marina e seu grupo.

Os mais de 300 mil brasileiros que aqui estão continuam a saga dos emigrantes nipônicos que foram ao Brasil. São os atuais protagonistas dessa história que começou a 100 anos e são os agentes vivos, diários, do intercâmbio entre as duas culturas.

por Reginaldo OKada
- | 12:22 | comentários (2) | trackbacks (0)

Vida na roça graças à internet

Depois de morar 10 anos num dos bairros centrais de Tokyo, resolvi mudar para o “mato” porque não aguentava ficar ralando o dia inteiro na frente de um computador. Sentia a necessidade de compensar as horas virtuais com atividades analógicas no meio da natureza.

Engraçado o computador, ao mesmo tempo que escraviza, também liberta. Graças à tecnologia digital - e à revolucionária internet - foi possível conciliar o meu trabalho profissional com a vida na roça. Já estou no terceiro ano plantando arroz, verduras, frutas e criando abelha entre uma teclada e outra.

Tanada.JPG

A foto mostra um tanada (arrozal na encosta, em forma de prateleira) uma paisagem típica da região que escolhi para me “analogizar”.

Por Reginaldo Okada
Tema > Agricultura | 20:54 | comentários (0) | trackbacks (0)

A mais bela ponte de madeira

Estou postando estas fotos e a do “Um olhar”, feitas em junho de 2006, em homenagem ao Take, o primeiro japonês a enviar um comentário. A espetacular ponte Kintaikyō é um tesouro da cidade de Iwakuni (Yamaguchi), onde ele mora.

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Ponte Kintaikyō 1.JPG


Fotos: Reginaldo Okada©

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Tema > Arquitetura Antiga | 13:48 | comentários (3) | trackbacks (0)

Carne de javali

No começo deste mês viajamos para a cidade de Mino (Gifu). A pousada Masunoya foi escolhida por causa da comida que iria servir no jantar: o shishinabe (cozido de carne de javali).

O molho estava delicioso, com forte sabor de miso (pasta de soja) e outros ingredientes mágicos que o mestre-cuca da pousada não quis revelar.

Carne de javali.JPG

Shishinabe.JPG

A caça de animais silvestres é liberada no inverno e nessa época é mais fácil encontrar lugares que os servem. Pena que não é muito comum, porque eu adoro essas carnes. O pior é que a diminuição de consumidores e caçadores está causando um grave problema no Japão inteiro. Cerca de 60% do arquipélago é de montanhas cobertas por florestas. Os animais estão aumentado muito e invadindo as plantações e cidades, causando enorme prejuízo.

Em 2006, o inoshishi (javali) chegou antes de mim para colher o arroz que eu plantei...

Por Reginaldo Okada
Fotos: Satomi Shimogo©

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Tema > Gastronomia | 11:15 | comentários (0) | trackbacks (0)

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