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A viagem do Bruno

Poucos dias depois do terremoto, o Bruno enviou uma mensagem que continha os seguintes trechos:

“Fiz uma viagem de 13 dias ao Japão e deixei Tokyo 3 dias antes do terremoto. Em pesquisa na internet, obviamente seu blog me ajudou de forma ímpar, como os relatos da Geruza e todas as informações postadas por vocês. Não quero, obviamente, cometer a indelicadeza de num momento tão triste para o Japão, postar fotos e relatos felizes que tivemos em momentos anteriores à tragédia. Mas é possível compartilhar isso no futuro?...

Aproveito pra compartilhar com você um sentimento muito estranho, quase de perda, que senti ao sair de um lugar apenas 3 dias antes de tamanha tragédia. Estranho pq ao contrário do que muita gente diz, não foi um sentimento de alívio, não consegui sentir isso. Foi mais um sentimento de culpa...

De antemão agradeço o enooorme serviço que seu site me prestou antes da viagem. Foi fundamental.”

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A minha resposta foi a seguinte: - Adorei a sua mensagem, Bruno. Quando você tiver o material pronto, me envie que eu publico imediatamente. Agora, mais do que nunca, temos que mostrar o verdadeiro Japão.

Clique abaixo para ver os relatos da viagem do Bruno
Japão 2011

texto e fotos: Bruno

A princípio fiquei reticente em enviar esse relato de minha viagem, pois com os últimos acontecimentos achei que pudesse soar como indelicadeza de minha parte. Mas não foi preciso muito para que o Reginaldo me convencesse de que exatamente nesse momento delicado precisamos mostrar o quanto esse país maravilhoso tem de beleza, cultura e hospitalidade a nos oferecer.

Bem, tentarei ser breve e específico, afinal de contas, gostaria de retribuir ao site toda a ajuda que ele me prestou e que eu segui à risca, unindo claro, algumas impressões pessoais.

Junto com meu namorado passamos 13 dias no Japão e, seguindo a cartilha, comecei por Kyoto. Partimos de Londres, uma viagem de cerca de 11 horas e já no avião a expectativa era grande. Confesso que tinha comprado as passagens para Tokyo antes de decidirmos ir para Kyoto primeiro, então não sei dizer se foi exatamente uma boa escolha. O fato é que chegamos bem cansados no aeroporto de Narita e de lá fomos para Tokyo para então pegarmos o trem para Kyoto. Isso nos consumiu mais 3 ou 4 horas e o resultado foi que chegamos exautos no hostel em Kyoto.


Kyoto


Aqui eu já dou uma dica. Nunca tenha vergonha! Jamais! Pelo simples motivo de que não há razão para isso, principalmente quando se está entre um povo tão educado e solícito. A educação é tão marcante que chega a soar para nós como subserviência, de tão acostumados que parecemos estar com a barbárie nossa de cada dia

Então mal chegamos na estação de Kyoto já pedimos ajuda a estudantes japoneses (que parecem andar todos de uniformes) e que, num inglês difícil nos mostrou como usar a máquina do metrô e nos levou até a estação do metrô. Aliás, a grande maioria tenta um inglês que, apesar de ser fraco, nos ajuda imensamente. “Strait, two signals, left” são palavras óbvias, mas capazes de nos ajudar imensamente.

Apesar de um pequeno susto inicial com os ideogramas, em 2 dias já estávamos andando de ônibus por toda Kyoto (Kyoto está muito sinalizada em inglês, assim como o sistema de transporte, incluindo os ônibus) e, apesar de a primeira impressão ser de uma cidade ocidental como outra qualquer, ela guarda em seus templos a grande beleza de sua época como capital do Império. No dia 25 de fevereiro fomos ao Flea Market e pudemos participar da cerimônia do chá, com as belíssimas maikos (uma espécie de aprendizes de gueixas), e seus detalhes impressionantes de vestimenta e comportamento.

Aqui já posso dar outra dica. Eu li sobre a enorme importância do Japan Rail Pass e não hesitei em comprá-lo. Só que havia dúvida se eu o compraria para todos os 13 dias que ficamos lá. Decidimos que não. E foi perfeito. Compramos o Rail Pass para 7 dias e o utilizamos para ir a Hiroshima, Nara e Nikko e para a viagem Tokyo-Kyoto; Kyoto-Tokyo. No restante da viagem ficamos em Tokyo e fizemos o passeio a Hakone, para o qual não vale o Japan Rail Pass e voltamos ao aeroporto Narita de metrô, o que foi super tranqüilo.

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Nara

Mas por partes. A viagem a Nara foi incrível, a visita ao templo do Buda de 16 metros é fascinante e no caminho dos templos fomos fazendo várias amizades. Após o Parque de Nara, onde ficam os cervos (uma imagem surreal da convivência entre os homens e esses animais), terminamos todos num restaurante onde eu pude provar um delicioso okonomiyaki vegetariano. Não sei se a dica é válida, mas o Japão não é o paraíso dos vegetarianos, mas há lugares onde se pode comer bem. E sempre que eu disse: “I´m vegetarian” fui compreendido. Quando muito ouvia a pergunta: “No fish, no chicken?” e eu respondia: “No fish, no chicken”. Pronto, estávamos entendidos. Cheguei até a aprender os símbolos nas embalagens que indicavam porco e vaca, quando perguntei a uma vendedora de supermercado.
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Hiroshima

Para quem gosta de história a visita a Hiroshima é imperdível. Vimos uma previsão de chuva para Kyoto e sol para Hiroshima e não perdemos tempo. Tivemos um dia lindo, mas extremamente chocante. Impossível não se sensibilizar, e no meu caso, abrir o berreiro mesmo, ao ver toda a história da tragédia que se abateu sobre a cidade com a bomba atômica. Tivemos a sorte de encontrar uma brasileira que estava traduzindo tudo o que um sobrevivente da bomba, que vai todos os dias ao Parque da Paz, estava contando. Um dos monumentos mais chocantes é o da menina que acreditava que se fizesse 1.000 grous (um pássaro do Japão) em origami ficaria curada de sues ferimentos causados pela explosão da bomba.
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Nikko

Quando você acha que está se acostumando, eis que um novo passeio torna tudo diferente do que você já viu até então. Essa sensação tive diversas vezes durante a viagem e quando chegamos a Nikko não foi diferente. Sei que muitos viajam ao Japão na época das cerejeiras, mas eu gosto mesmo é de inverno. E Nikko me presenteou com o maior frio que já senti na vida. Posso arriscar que a temperatura no dia chegou próxima aos 15 graus negativos, mais o vento absurdo que estava no lago. Mas eu amei cada segundo.
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Hakone

Na estação de Sinjuku é possível comprar um passe para toda a viagem de Hakone. Custa 5000 ienes e vale para todos os passeios que você vai fazer. O trem até Hakone, o navio, o teleférico, o trem lá em Hakone, ou seja, vale muito a pena. Ir nos onsens e comer o ovo preto que é cozido ali mesmo no vulcão é pra ser lembrado a vida inteira. Aliás, em Hakone tomamos o tradicional banho no onsen e foi uma experiência imnacreditável. Mergulhado naquelas águas termais ao ar livre e muita neve caindo, achei que fosse congelar, mas longe disso. Obviamente com tanta neve não conseguimos ver o monte Fuji. Mas não importa, eu amo neve! E fica uma grande desculpa para voltar ao Japão numa próxima vez.

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Tokyo

Mas os amantes de tecnologia têm seu êxtase mesmo em Tókio. É lá que existe o famoso bairro Akihabara. Um lugar com prédios enormes, todos muito parecidos, mas cada um com inúmeros andares, onde cada um é especializado em um ramo da tecnologia. É um andar para computadores, outro para câmeras fotográficas, outro para televisões de led, lcd e 3D, outro para celulares e por aí vai. Difícil é segurar o bolso e pensar na alfândega na hora da volta.

Outro lugar impressionante é o bairro de Shibuya. Aqui realmente é tudo o que se espera de Tókio. Uma imensa Times Square, com telões e letreiros gigantes num dos cruzamentos mais movimentados do mundo. É de deixar qualquer um assustado quando pessoas mais se assemelham a formigas num enorme formigueiro!

A tecnologia do Japão também não decepciona no museu de ciência de Tókio. No planetário é possível assistir a uma aula em 3D sobre o Universo (se você entende japonês, deve ficar mais legal ainda) e depois ir para a sala do século 22, onde uma impressionante robô, que com muita dificuldade é possível distingui-la de um ser humano, recebe os visitantes e responde às perguntas, na maioria feitas por crianças. Eu arrisquei apenas um breve "Konnichiwa" (olá, em japonês); ela me respondeu no mesmo cumprimento e a quantidade de coisas que disse em seguida eu não faço idéia do que sejam.

Obviamente eu poderia escrever 3 vezes mais sobre o Japão e sua tecnologia do que é possível nesse breve espaço, mas jamais cometeria o pecado de escrever qualquer linha sobre esse maravilhoso país sem ressaltar a imensa educação de seu povo. No meio de tantos letreiros, sinais e tecnologia de ponta, é a sensibilidade e amabilidade do povo japonês que faz a sua viagem ao outro lado do mundo valer a pena. Chega a ser inacreditável. Qualquer cidadão é capaz de parar tudo o que está fazendo para te ajudar, mesmo num inglês sofrível, como é o da maioria. E é uma ajuda fundamental quando se está num país onde o idioma nos parece mais com ornamentos do que propriamente com uma linguagem. E por isso lamento tanto que o país esteja passando por tamanha dificuldade. É estranho perceber que momentos tão preciosos proporcionados por um povo teriam sido difíceis ou impossíveis de viver na semana seguinte, embora tenho certeza que, se dependesse dos japoneses, eu ainda conseguiria amar cada segundo.

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Roteiros > Personalizados | 17:25 | comentários (9) | -

Comentários

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Marilia Pierre
Bruno,
viagem incrível, fotos maravilhosas!
13/04/2011
Bruno
Obrigado, Marília. Realmente foi uma viagem incrível. Definitivamente irei voltar ao Japão um dia.
14/04/2011
Sheila
Fotos muito lindas! Muitas parecem cartões postais ou anúncios publicitários. Bjs.
15/04/2011
Felipe
Confesso que me fez querer ir muito ao Japão, independente da tragédia. E só prova que o povo é o melhor cartão postal que um país pode ter!
15/04/2011
Beth
Bruno,vc me fez voltar no tempo... estive no Japão em
outubro, e fiz exatamente o seu roteiro, menos Hiroshima.
Fui com meu filho de 12 anos, queria que ele conhecesse
esse país e e o povo que tanto admiro!
Adorei as fotos!
27/04/2011
Bruno
Beth
Desde que consigo me lembrar eu tinha vontade de conhecer o Japão e desde que me programei para a viagem não deixei mais de acessar esse blog e esse site. É realmente um país encantador.
20/05/2011
Silvana Tanaka
Nossa Bruno.Adorei,simplesmente maravilhoso.Suas fotos estão lindas.Realmente o povo japones é otimo.Amo este país.Parabéns pelo roteiro,muito bem elaborado.Abraços.Se cuida.
02/08/2011
Geruza
Lindíssimas suas fotos!
Que bom que pude ajudar um pouquinho!!
É... entendo quando vc diz do sentimento a vista do que aquele povo passou... Impressionante!! Parece que estão sendo sempre postos a provas...
19/09/2011
Amanda Aires
Bruno, amei suas fotos. O povo japonês é mesmo incrível. Apesar de tudo, eles sempre conseguem se por de pé. Que tudo possa dar certo, e que eles possam de novo ver o sol nascer com tranquilidade, como merecem.
30/10/2011
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