Relatos e Potos

Hiroshima: renascida das cinzas como símbolo da paz

Os escombros desse edifício foi rebatizado de Genbaku Domu e mantido como monumento e testemunha do horror da bomba atômica
Passados mais de sessenta anos, a moderna metrópole com avenidas amplas não aparenta que fora palco de uma tragédia sem precedentes. Mas a cicatriz ali está, comovendo cada pessoa que visita o Parque Memorial da Paz, no centro da cidade. Hiroshima renasceu das cinzas para se tornar um símbolo mundial contra o uso das armas nucleares e uma referência na história da humanidade.

Durante vários anos as autoridades da cidade de Hiroshima não sabiam o que fazer com as ruínas do prédio que até às 8 horas e 15 minutos do dia 6 de agosto de 1945, quando aconteceu o primeiro lançamento de uma bomba atômica da história, era chamado de Hiroshima Prefectural Industrial Promotion Hall.

Construído no ano de 1915, só lhe restou o esqueleto após a explosão que teve o epicentro a apenas 160 metros de seus muros. O desejo de várias pessoas era que ele fosse preservado como estava para manter viva a memória da tragédia. Mas muitas outras esperavam que ele fosse demolido, pois temiam que as estrutura viesse a desabar colocando em risco os transeuntes ou queriam mesmo apagar de vez as lembranças do triste episódio.

Em 1965, foi decidida pela sua perpétua preservação e rebatizado de Genbaku Domu, ou A-bomb Dome, para ser passado para as futuras gerações como um monumento, um símbolo da paz que testemunhou a tragédia e o horror das armas nucleares. Em dezembro de 1996, o prédio foi registrado pela UNESCO, órgão das Nações Unidas como Patrimônio Cultural da Humanidade.

O Parque Memorial da Paz foi criado no local onde explodiu a primeira bomba atômica usada numa guerra. Nele encontram-se vários monumentos dedicados às vítimas e ao desejo de estabelecimento da paz mundial O Parque Memorial da Paz está localizado entre a bifurcação dos rios Honkawa e Motoyasu onde, além do Genbaku Domu, existem várias outros monumentos pela paz e pela memória das vítimas, como o Hiroshima Peace City Memorial, inaugurado em 6 de agosto de 1952. No centro da estrutura de concreto em forma de um arco está guardada a lista dos nomes das pessoas falecidas que foram vítimas da bomba atômica. Uma frase gravada em japonês diz o seguinte: “Durma em paz. Nunca mais repetiremos o erro”.

A bomba atômica liberou uma energia equivalente a 16 mil toneladas de dinamite. Na foto, uma réplica da lançada em Hiroshima exposta no museu Museu da Paz
Ainda dentro do Parque da Paz, um dos pontos que mais atrai o interesse dos visitantes é o famoso Museu Memorial da Paz, que compreende dois edifícios interligados. O Edifício Leste apresenta, através de audiovisuais, maquetes e painéis, a história de Hiroshima antes e depois da bomba. O Edifício Oeste mostra através de objetos recolhidos, fotografias e maquetes vários aspectos das conseqüências do bombardeio. Há também uma réplica da bomba atômica lançada sobre a cidade e explanações gerais sobre o impacto da explosão.

Muitas das peças expostas causam horror, principalmente as fotos das vítimas com queimaduras e os bonecos em tamanho natural reconstituindo pessoas atingidas pelo calor da explosão, com as roupas em farrapos e a pele escorrendo dos braços como se o corpo estivesse derretendo.

Outra imagem impressionante são os degraus da frente do então Banco Sumitomo, que estava localizado a 260 metros do epicentro da explosão, onde existe gravada a sombra de uma pessoa que provavelmente estava sentada esperando o estabelecimento abrir. O corpo inteiro teria evaporado com a onda de calor.

Cerca de vinte ou trinta minutos após a explosão, uma forte chuva negra despencou do céu contaminando com radiação áreas distantes do epicentro. Essa chuva foi denominada de “cinzas da morte” e no museu está exposta a parte de uma parede onde ficou impresso o líquido negro escorrendo.

Enquanto continuam pelo globo as experiências com armas nucleares, Hiroshima expõem a sua cicatriz, mostrando o sofrimento, a revolta e a dor profunda do seu povo e esperando que o mundo compreenda a necessidade da eliminação da armas nucleares e das guerras.

Texto e fotos: Reginaldo Okada©
Coordenação e pesquisa: Satomi Shimogo
Colaboração de "Hiroshima Film Commission"

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A bomba atômica liberou uma energia equivalente a 16 mil toneladas de dinamite. Na foto, uma réplica da lançada em Hiroshima exposta no museuOs escombros desse edifício foi rebatizado de Genbaku Domu e mantido como monumento e testemunha do horror da bomba atômicaO Parque Memorial da Paz foi criado no local onde explodiu a primeira bomba atômica usada numa guerra. Nele encontram-se vários monumentos dedicados às vítimas e ao desejo de estabelecimento da paz mundial O Parque Memorial da Paz foi criado no local onde explodiu a primeira bomba atômica usada numa guerra. Nele encontram-se vários monumentos dedicados às vítimas e ao desejo de estabelecimento da paz mundial
Monumento dedicado às crianças vítimas da bomba atômicaBarco turístico passa em frente ao Genbaku Domu

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