Série sobre a região de Takahashi (Okayama)
Tinta bengara, da mineração ao fashion
09/05/2009
O óxido de ferro foi o primeiro pigmento mineral utilizado pelo ser humano. Os homens pré-históricos já o aproveitavam como tinta vermelha. A prova são os desenhos rupestres feitos nas paredes de cavernas em diversas partes do mundo.
No Japão, o mineral também teria sido empregado como pigmento há pelo menos cinco mil anos. O seu vermelho característico colore algumas peças de cerâmicas e de laca dessa época que foram encontradas em sítios arqueológicos.
O emprego do pigmento foi sendo ampliado acompanhando a evolução humana. Ainda na antiguidade, na região de Bengala, na Índia, foi inventada uma técnica de produção do pó vermelho em larga escala. Durante muito tempo Bengala foi um dos principais fabricantes e exportadores desse produto, que no Japão é chamado de bengara, devido ao local de origem.
Esse pó de pigmento vermelho sempre foi um artigo muito valioso para os nipônicos. Além do uso em peças utilitárias e decorativas, depois da introdução do budismo no século 6, também passou as ser usado na pintura dos templos, já que o bengara é um ótimo protetor contra o ataque de insetos e contra a deterioração natural da madeira.Mas no Japão a técnica de fabricação em larga escala só foi dominada em 1707, na região de Fukiya, da atual cidade de Takahashi (Okayama). Esse foi o único local do país de produção do bengara. Na região existia mineração de cobre e a matéria-prima para fazer o pigmento, o ferro, era um subproduto que também se extraía do material bruto retirado das minas.
Graças à mineração de cobre e à produção de bengara, a vila de Fukiya viveu uma época de grande riqueza, mas depois com a exaustão da mina e a importação do metal de outros países, a produção foi interrompida e, em 1972, as áreas de mineração fechadas.
Dois anos depois, as quatro fábricas de bengara que existiam em Fukiya encerraram as atividades.
A pequena vila de Fukiya caiu num sono profundo e hoje vive do turismo, graças às históricas edificações que foram erguidas no auge econômico e dos pontos relacionados com a mineração de cobre e a fabricação do bengara.
Mina e museuAs minas de cobre em Fukiya foram descobertas no ano 807. Elas passaram um longo período sendo disputadas por vários senhores feudais. Mas na era Edo (1603~1867), o direito da exploração ficou sendo exclusivo do governo nacional, ou seja do clã Tokugawa.
Depois, na era Meiji (1868~1912), o grupo empresarial Mitsubishi assumiu a mineração. Ao todo existiam oito minas. No auge, cerca de mil pessoas trabalhavam nelas. A população da vila de Fukiya chegou a ter 3 mil pessoas. Atualmente, são apenas 50 moradores.
Em 1979, uma parte da caverna da mina Sasaune-kodo foi transformada em local de visitação turística e conta, inclusive, com vários bonecos em tamanho natural que reproduzem cenas do trabalho de escavação no perodo Edo, quando ainda não se utilizava maquinários.
Próximo da mina também se encontra o museu Bengara-kan, onde podemos conhecer como era o processo de produção do pó de bengara. No local realmente existiu uma fábrica e os prédios atuais são reconstituições das antigas instalações
Produtos de bengaraNo centro da vila Fukiya existem lojas onde encontrarmos diversos produtos que utilizam a bengara, como cerâmicas, papéis artesanais e até roupas. Por exemplo, a loja Asada desenvolve um projeto em conjunto com um artesão de Kyoto que faz tingimento de tecidos com o pigmento. Obtem-se uma maravilhosa cor e diversas tonalidades, enaltecendo peças como cachecóis de seda, calças jeans e camisetas, entre outros artigos variados.
Texto e fotos: Reginaldo Okada©
Coordenação e pesquisa: Satomi Shimogo
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Informações úteis
Museu Bengara-kan – Fica 5 minutos de carro do centro de Fukiya. Abre das 9h às 17h. Tel.: (0866) 29-2222 (Assoc. de Turismo). Entrada: ¥ 200.
Mineração Sasaune-kodo - Fica 5 minutos de carro do centro de Fukiya. Abre das 9h às 17h. Tel.: (0866) 29-2222 (Assoc. de Turismo). Entrada: ¥ 300.
Mineração Sasaune-kodo - Fica 5 minutos de carro do centro de Fukiya. Abre das 9h às 17h. Tel.: (0866) 29-2222 (Assoc. de Turismo). Entrada: ¥ 300.
Como chegar
O grupo JAL tem vôos para aeroporto de Okayama, de Haneda (Tokyo), Kagoshima e Naha (Okinawa).
Do aeroporto de Okayama para o centro da cidade de Takahashi, deve-se tomar o ônibus com destino à estação Okayama da JR e seguir até o ponto final (percurso: 30 min.; tarifa: ¥ 680). Depois, pegar o trem da linha Sanyo-honsen e descer na estação Kurashiki, e trocar para outro trem da linha Hakubi e descer na estação Bitchu Takahashi (percurso total: 50 min.; trarifa; ¥ 820).
Do centro de Takahashi até o bairro Fukiya leva uma hora de carro. Para ir de ônibus, deve-se ir ao Takahashi Bus Center (na frente da Estação Bitchu Takahashi, da linha Hakubi JR), embarcar no da empresa Bihoku Bus com destino a Fukiya e descer no final (percurso: 1h; tarifa: ¥ 950). A frequência é de apenas 3 partidas por dia.
Do aeroporto de Okayama para o centro da cidade de Takahashi, deve-se tomar o ônibus com destino à estação Okayama da JR e seguir até o ponto final (percurso: 30 min.; tarifa: ¥ 680). Depois, pegar o trem da linha Sanyo-honsen e descer na estação Kurashiki, e trocar para outro trem da linha Hakubi e descer na estação Bitchu Takahashi (percurso total: 50 min.; trarifa; ¥ 820).
Do centro de Takahashi até o bairro Fukiya leva uma hora de carro. Para ir de ônibus, deve-se ir ao Takahashi Bus Center (na frente da Estação Bitchu Takahashi, da linha Hakubi JR), embarcar no da empresa Bihoku Bus com destino a Fukiya e descer no final (percurso: 1h; tarifa: ¥ 950). A frequência é de apenas 3 partidas por dia.















