Relatos e Potos

Série sobre a região de Takahashi (Okayama)

Tinta bengara, da mineração ao fashion

Um ponto turístico de Fukiya é a mina Sasaune-kodo. Bonecos representam o trabalho de escavação durante o período Edo, quando ainda não se utilizava maquinários
O óxido de ferro foi o primeiro pigmento mineral utilizado pelo ser humano. Os homens pré-históricos já o aproveitavam como tinta vermelha. A prova são os desenhos rupestres feitos nas paredes de cavernas em diversas partes do mundo.

No Japão, o mineral também teria sido empregado como pigmento há pelo menos cinco mil anos. O seu vermelho característico colore algumas peças de cerâmicas e de laca dessa época que foram encontradas em sítios arqueológicos.

O emprego do pigmento foi sendo ampliado acompanhando a evolução humana. Ainda na antiguidade, na região de Bengala, na Índia, foi inventada uma técnica de produção do pó vermelho em larga escala. Durante muito tempo Bengala foi um dos principais fabricantes e exportadores desse produto, que no Japão é chamado de bengara, devido ao local de origem.

Os pigmentos preto e vermelho feitos de óxido de ferro, que no Japão são chamados de bengara Esse pó de pigmento vermelho sempre foi um artigo muito valioso para os nipônicos. Além do uso em peças utilitárias e decorativas, depois da introdução do budismo no século 6, também passou as ser usado na pintura dos templos, já que o bengara é um ótimo protetor contra o ataque de insetos e contra a deterioração natural da madeira.

Mas no Japão a técnica de fabricação em larga escala só foi dominada em 1707, na região de Fukiya, da atual cidade de Takahashi (Okayama). Esse foi o único local do país de produção do bengara. Na região existia mineração de cobre e a matéria-prima para fazer o pigmento, o ferro, era um subproduto que também se extraía do material bruto retirado das minas.

Graças à mineração de cobre e à produção de bengara, a vila de Fukiya viveu uma época de grande riqueza, mas depois com a exaustão da mina e a importação do metal de outros países, a produção foi interrompida e, em 1972, as áreas de mineração fechadas.

Dois anos depois, as quatro fábricas de bengara que existiam em Fukiya encerraram as atividades.

A pequena vila de Fukiya caiu num sono profundo e hoje vive do turismo, graças às históricas edificações que foram erguidas no auge econômico e dos pontos relacionados com a mineração de cobre e a fabricação do bengara.

O museu Begara-kan reconstitui uma antiga fábrica do pigmento Mina e museu
As minas de cobre em Fukiya foram descobertas no ano 807. Elas passaram um longo período sendo disputadas por vários senhores feudais. Mas na era Edo (1603~1867), o direito da exploração ficou sendo exclusivo do governo nacional, ou seja do clã Tokugawa.

Depois, na era Meiji (1868~1912), o grupo empresarial Mitsubishi assumiu a mineração. Ao todo existiam oito minas. No auge, cerca de mil pessoas trabalhavam nelas. A população da vila de Fukiya chegou a ter 3 mil pessoas. Atualmente, são apenas 50 moradores.

Em 1979, uma parte da caverna da mina Sasaune-kodo foi transformada em local de visitação turística e conta, inclusive, com vários bonecos em tamanho natural que reproduzem cenas do trabalho de escavação no perodo Edo, quando ainda não se utilizava maquinários.

Próximo da mina também se encontra o museu Bengara-kan, onde podemos conhecer como era o processo de produção do pó de bengara. No local realmente existiu uma fábrica e os prédios atuais são reconstituições das antigas instalações

A bela cor dos tecidos tingidos com bengara Produtos de bengara
No centro da vila Fukiya existem lojas onde encontrarmos diversos produtos que utilizam a bengara, como cerâmicas, papéis artesanais e até roupas. Por exemplo, a loja Asada desenvolve um projeto em conjunto com um artesão de Kyoto que faz tingimento de tecidos com o pigmento. Obtem-se uma maravilhosa cor e diversas tonalidades, enaltecendo peças como cachecóis de seda, calças jeans e camisetas, entre outros artigos variados.


Texto e fotos: Reginaldo Okada©
Coordenação e pesquisa: Satomi Shimogo
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Um ponto turístico de Fukiya é a mina Sasaune-kodo. Bonecos representam o trabalho de escavação durante o período Edo, quando ainda não se utilizava maquináriosUm ponto turístico de Fukiya é a mina Sasaune-kodo. Bonecos representam o trabalho de escavação durante o período Edo, quando ainda não se utilizava maquináriosEntrada da galeria subterrânea da mina Sasaune-kodoUma das galerias da mina Sasaune-kodo
O museu Begara-kan reconstitui uma antiga fábrica do pigmentoO museu Begara-kan reconstitui uma antiga fábrica do pigmentoA matéria-prima em estado bruto que foi extraída de uma mina de FukiyaOs pigmentos preto e vermelho feitos de óxido de ferro, que no Japão são chamados de bengara
A loja Asada comercializa produtos que utilizam o bengaraCerâmica com bengara Artigos de papel artesanal washi com bengaraCalça jeans feita com tecido tingido com bengara
A bela cor dos tecidos tingidos com bengaraTecidos de seda tingidos com bengara

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