Relatos e Potos

Série sobre a cidade de Hirosaki (Aomori)

Montanha Iwaki-san, a alegria da primavera junto com a beleza da neve

Em plena primavera, o colorido das flores toma conta dos campos, mas a montanha Iwaki-san ainda está coberta de neve. À esq., as cerejeiras floridas da estrada número 3 Depois de curtir o festival da floração das cerejeiras de Hirosaki (Aomori), considerado o mais bonito do Japão, parti em direção à montanha Iwaki-san. De vários pontos do centro da cidade dava para avistar o seu topo coberto de neve e eu estava ansioso para vê-la por inteiro. Paisagem conhecida em todo o país, ela tem a fama de ficar excepcionalmente bela e fotogênica na primavera.

Uma outra atração na base da montanha são os onsen (balneários de água termal) e as suas pousadas. Nelas se pode apreciar os pratos típicos dessa região do nordeste do Japão. Nesta época, o principal destaque gastronômico são as plantas silvestres colhidas na floresta, que rebrotam após o derretimento da neve.

Estrada de cerejeiras
Para ir até a Iwaki-san deve-se pegar a estrada número 3. Ela começa no centro da cidade e segue até o sopé da montanha. Durante o percurso também dá para curtir a floração das cerejeiras porque dos dois lados da rodovia tem longas fileiras de árvores da espécie oyamazakura.

Em 1985, um grupo de moradores da região começou a plantar as cerejeiras nas duas beiras da estrada. Após 10 anos, chegaram a completar 20 quilômetros de extensão, utilizando 6,5 mil mudas. É considerada a alameda de sakura mais longa do mundo.

Um fato curioso é que no começo da estrada as árvores estavam em plena floração, mas conforme ia se aproximando da base da montanha, diminuía o número de flores abertas. No final só se via os botões na copa. As cerejeiras serviram como um indicador natural do clima e fiquei assombrado em constatar a grande diferença de temperatura num espaço de apenas 20 quilômetros.

Ao fundo se vê a montanha que é a divindade do templo Iwakiyama-jinja Divindade montanha
A montanha Iwaki-san tem 1.625 metros de altura e é um vulcão ativo, mas a última erupção aconteceu há quase 150 anos. Contemplando-a por inteiro, entendi porque ela é tão admirada pelos japoneses. A sua beleza se deve, entre outras razões, à forma cônica e ao fato de estar isolada no meio de uma área plana, como o Monte Fuji.

Mas para o povo local a consideração pela imponente montanha ultrapassa os fatores estéticos: é uma existência sagrada, venerada como divindade desde a antiguidade.

No ano 780, foi construída uma capela no seu pico, que originou o templo xintoísta Iwakiyama-jinja. Depois, em 1091, também foi erguido no sopé um outro santuário do mesmo templo e que hoje também é uma das atrações turísticas da região.

O Yama No Hotel é uma das melhores opções da região para os banhos de água termal Pousada do matagi
Na base do Iwaki-san existem cerca de dez localidades com fontes naturais de água termal. O ar rústico e interiorano é a principal característica dessas estâncias balneárias. Entre elas, eu escolhi o Dake-onsen, por causa que a água da sua fonte tem alto teor de enxofre e aparência branco-leitosa.

Um outro fator que pesou na escolha desse balneário foi o Yama No Hotel. A família do proprietário, atualmente a sétima geração, era de caçadores tradicionais da região, que são chamados de matagi, e as refeições servidas aos hóspedes seguem esse tema, com carne de animas silvestres e plantas colhidas na floresta.

Atualmente, restam muito poucos matagi autênticos. Eles eram profundos conhecedores da natureza e aproveitavam o inverno, quando não se podia trabalhar com agricultura por causa da neve, para caçar urso, javali e outros animais.

Pratos com plantas silvestres servidos no Yama No Hotel Na primavera, o destaque gastronômico das refeições do hotel são as chamadas sansai, plantas silvestres comestíveis. A maioria delas também são cultivadas comercialmente, mas o sabor das que rebrotam naturalmente nas florestas e campos é mais apreciado. Já no outono, os cogumelos silvestres é que são as estrelas.

Eu gostei muito de conversar com o dono do hotel, o senhor Katsumi Akaishi. Ele contou muitas histórias sobre os matagi e eu fiquei com vontade de um dia fazer uma matéria especial, porque eles possuem uma sábia filosofia de relacionamento com a natureza, praticando a caça com dignidade e grande respeito.

Nessa viagem ao nordeste do Japão também senti a grande alegria que é para o povo a chegada da primavera em uma região que passou um rigoroso inverno embaixo da neve.

Texto e fotos: Reginaldo Okada©
Coordenação e pesquisa: Satomi Shimogo
  • Web TV
Veja mais fotos
Em plena primavera, o colorido das flores toma conta dos campos, mas a montanha Iwaki-san ainda está coberta de neve. À esq., as cerejeiras floridas da estrada número 3O Yama No Hotel é uma das melhores opções da região para os banhos de água termalPratos com plantas silvestres servidos no Yama No HotelAo fundo se vê a montanha que é a divindade do templo Iwakiyama-jinja
Templo Iwakiyama-jinjaTemplo Iwakiyama-jinjaYama No HotelYama No Hotel
Yama No HotelYama No HotelMuitas pessoas vão à montanha para colher as plantas silvestres comestíveis, como o fuki no tooMuitas pessoas vão à montanha para colher as plantas silvestres comestíveis, como o fuki no too
As plantas silvestres também atrações encontradas nas lojinhas no sopé da montanhaPlanta de wasabi (raiz forte) colhida na montanha

Topo

| Home |