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Festival na lagoa congelada

Os iglus apresentam várias formas e tamanhos. Lá no fundo se vê a catedral, onde acontece a cerimônia de casamento
Bastaria ter disposição e um saco de dormir especial para encarar uma noite dentro de um iglu. Faltaram os dois para me transformar num esquimó. Apesar do sleep bag que suporta temperaturas congelantes poder ser alugado no local, eu preferi ir para o quarto do hotel que fica na margem da lagoa. Gosto muito da neve como elemento lúdico e paisagístico, mas a minha faixa de tolerância ao frio se limita aos segundos necessários de pegar o gelo para preparar uma caipirinha de sake (estou com a impressão que alguém já disse algo parecido antes).

Como não poderia voltar sem um relato da experiência, fiz o grande esforço de acordar bem cedo e fui conversar com o pessoal que dormiu no iglu. Todos ficaram surpresos com a diferença do frio que fazia fora com o frio que fazia dentro. Só o fato de proteger contra o vento já dava uma disparidade que se poderia comparar, a título de exemplo, com a existente entre os compartimentos de uma geladeira. Pelas declarações, concluí que a experiência foi proveitosa. Na próxima vez vou encarar. Afinal, ninguém morreu.

No início de dezembro a água da lagoa Shikaribetsu-ko começa a congelar e em janeiro toda a superfície já se encontra em estado sólido. Nos dois primeiros meses do ano, no auge do inverno, o termômetro pode chegar até 30° abaixo de zero. O gelo só derrete completamente em meados de maio.
Além de iglus com forma tradicional, também são construídos alguns originais e interativos. Na foto, um iglu-escorregador
É nesse ambiente com longo e rigoroso inverno que acontece o festival Shikaribetsu-ko Kotan. A cada ano, as obras arquitetônicas de gelo são renovadas e ficam maiores e mais ousadas, a exemplo de uma catedral, onde se realiza cerimônia de casamento. Não adianta dizer para o noivo ou para a noiva desistir enquanto é tempo, que vai entrar numa fria. Virou moda.

O prédio mais impressionante é o que abriga um teatro, uma sala de projeção de vídeo e um bar. Não se empregou nenhum outro elemento para ajudar a sustentar o edifício além de sete mil blocos de gelo e a técnica arquitetônica emprestada dos esquimós. Fiquei tentando descobrir qual lei da física que rege tal proeza. O segredo deve estar no teto com forma côncava.

Além do palco, o teatro conta com arquibancadas e até camarotes no andar superior. Os artistas da região realizam show no local e jogam duro para arrebatar aplausos calorosos, pelo bem-estar de todos.

Voluntários
O festival Shikaribetsu Kotan é organizado pela prefeitura e realizado pela empresa de esporte outdoor Shikaribetsu Nature Center. Esta última é que se encarrega da construção dos iglus e também realiza atividades esportivas, como esqui, snowmobil, balonismo, entre outras.

A partir do começo de dezembro, os organizadores recebem voluntários para ajudar na construção e manutenção dos iglus. Pode ser para trabalhar durante todo o evento ou só por alguns dias. Eles oferecem hospedagem e alimentação, mas tem que ter um domínio razoável do idioma japonês. As inscrições devem ser feitas na Shikaribetsu Nature Center.

A água termal é puxada de fontes naturais para as banheiras que ficam ao ar livre no meio da lagoa congeladaHotel e banho termal
As opções de hospedagem se limitam a dois hotéis que ficam na beira da lagoa. Ambos de ótimo nível (veja o box de informações abaixo). Eles também contam com excelentes banhos de água termal natural.

Durante todo o período do festival, se mantêm no meio da lagoa um banho público gratuito, claro que também com água termal natural e com banheiras separadas para uso masculino e feminino. Normalmente, as mulheres entram de maiô, porque fica ao ar livre.

Se não tivesse hotel por perto, acho que eu iria dormir dentro de uma banheira dessas. Pelo menos é quentinha.

Veja a continuação desta matéria no Ecoturismo no clima subártico


Texto e fotos: Reginaldo Okada©
Coordenação e pesquisa: Satomi Shimogo

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A lagoa Shikaribetsu-ko tem 13.8 km de circunferência, a partir de dezembro a superfície começa a congelarOs iglus apresentam várias formas e tamanhos. Lá no fundo se vê a catedral, onde acontece a cerimônia de casamentoO festival possibilita a adultos e crianças o contato com a natureza no inverno rigoroso de Hokkaido, e ao mesmo tempo mostra o lado divertido da neve e do geloAlém de iglus com forma tradicional, também são construídos alguns originais e interativos. Na foto, um iglu-escorregador
A parte interna da catedral tem paredes com desenho elaboradoUm dos entretenimentos é esculpir peças no bloco de gelo, como coposDepois, à noite, os visitantes usam no Icebar as suas obras esculpidas no gelo A água termal é puxada de fontes naturais para as banheiras que ficam ao ar livre no meio da lagoa congelada
Um iglu “pousada” com a mobília de gelo. Sobre a cama, os sacos de dormir especiaisA paisagem fica linda com a luz do fim da tardeO Icebar é o local da badalação noturnaDentro do Icebar tudo é feito de gelo, até o balcão e os copos onde são servidas as bebidas
Os turistas lotam as arquibancadas e camarotes para assistir ao showDurante o evento vários artistas da região se apresentam dentro do teatro de gelo

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