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Série sobre Saitama

"Parthenon" subterrâneo, a tecnologia japonesa antienchente

Os visitantes do museu Ryukyu-kan fazem passeio no colossal tanque subterrâneo apelidado de “Parthenon”
A impressão que tenho, seguindo as manchetes dos jornais, é que as enchentes que ocorrem no verão em São Paulo estão ficando cada ano mais catastróficas. O que me despertou a curiosidade de saber como a extensa área metropolitana de Tokyo lida com esse relevante enclave urbano.

Descobri que na cidade de Kasukabe (Saitama) tem um local onde se pode fazer “turismo” para conhecer a tecnologia japonesa mais avançada antienchente. É uma espécie de centro de visitação e museu chamado Ryukyu-kan. Ele funciona no prédio da estação de regulagem do fluxo de água pluvial, que é captada e armazenada em canais e tanques subterrâneos. É o maior sistema de drenagem do mundo desse tipo.

Antes do passeio, a guia explica detalhes do sistema de drenagem Depois da explicação sobre o funcionamento do sistema através de audiovisuais, os visitantes são levados ao interior do tanque apelidado de “Parthenon”. Para mim, pareceu mais uma paisagem de ficção científica do que o célebre templo grego.

Apesar da estação de drenagem não estar em local de acesso muito fácil, é grande o número de pessoas que participam do inusitado tour. A reserva deve ser feita com boa antecedência. Os “passeios” são realizados de terça-feira a sexta-feira, em três horários diários. A duração é de 90 minutos e é gratuito.

Fundo do prato
Na região de Kasukabe, as enchentes ficaram cada vez mais graves à medida que os arrozais e brejos foram sendo aterrados por causa da expansão da área metropolitana em volta de Tokyo. O agravante é que esse local fica num nível abaixo dos rios, como se fosse o fundo de um prato.

Os tabuleiros de arroz eram verdadeiros reservatórios e, sem eles, a água das tempestades - principalmente quando passava um furacão - só podia se acumular sobre o concreto e asfalto, alagando ruas e casas.

Os visitantes observando o rio Edogawa, do alto do prédio do Ryukyu-kan O projeto de construção do maior sistema subterrâneo de drenagem do mundo teve início em 1993, começou a funcionar parcialmente em 2002 e foi concluído em 2007. Ele inclui um canal com 6.3 quilômetros de extensão, cinco tanques gigantescos e o “Parthenon”, que é o último estágio do sistema, onde ficam as quatro bombas - movidas a turbina de avião - que elevam a água até o rio Edogawa, vizinho à estação.

Cenário futurista
Esse tour do Ryukyu-kan é imperdível para quem gosta de conhecer mega projetos da engenharia. Eu acabei dando uma viajada na maionese e imaginei que caso o ser humano construir colônias em planetas inabitáveis, talvez tenha que viver em locais como o “Parthenon”. Ou se uma guerra atômica mundial obrigar a construção de cidades subterrâneas, elas também teriam esse aspecto.

Mas não foi só a minha cabecinha delirante que pensou assim. Fotos expostas no centro de visitação mostram que o “Parthenon” tem sido requisitado para servir como cenário de novelas, seriados de tevê, comerciais e até para clipe de músicos, aproveitando o ambiente de ficção científica.

Cada pilar do “Parthenon” pesa 500 toneladas Medidas
- O nome da estação em inglês é Metropolitan Area Outer Underground Discharge Channel (em tradução livre, Canal de Drenagem Subterrâneo da Periferia da Área Metropolitana).
- O canal mede 6.3 quilômetro de extensão, cerca de 10 metros de diâmetro e fica na profundidade de 50 metros.
- Os tanques cilíndricos variam de 15 a 31 metros de diâmetro, com profundidade entre 63 e 71 metros.
- O “Parthenon” tem 177 metros de comprimento por 78 metros de largura. A altura é de 25 metros. Conta com um total de 59 colunas.
- O sistema de reservatórios tem capacidade total de 670 mil metros cúbicos de água.

Texto e fotos: Reginaldo Okada©
Coordenação e pesquisa: Satomi Shimogo

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Os visitantes do museu Ryukyu-kan fazem passeio no colossal tanque subterrâneo apelidado de “Parthenon”Antes do passeio, a guia explica detalhes do sistema de drenagem Cada pilar do “Parthenon” pesa 500 toneladasO maior tanque cilíndrico tem 71 metros de profundidade
Os visitantes observando o rio Edogawa, do alto do prédio do Ryukyu-kanA água acumulada no canal e tanques entra no “Parthenon” por essa aberturaVistos do ponto mais alto, os visitantes parecem formiguinhas Mapa da bacia hidrográfica da região metropolitana de Tokyo
Demonstração do funcionamento do sistema com maquete e vídeoPrédio da estação de drenagem e do museu Ryukyu-kan

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