Relatos e Potos

Koinobori, para superar as correntezas contrárias da vida

A Hashimoto Yakichi Shoten continua uma tradição de mais de 100 anos produzindo koinobori pintado à mão. Na foto, o artesão Masaro Hashimoto
Entre abril e maio é época das carpas “nadarem no céu”. Até o dia 5 de maio, quando se comemora o Dia dos Meninos, o koinobori estará tremulando ao sabor do vento e sobre as casas onde vivem crianças do sexo masculino. Em várias regiões do país também acontecem festivais com “peixes” gigantes ou com “cardumes” imensos.

Bela simbologia, a do koinobori. Essa carpa estilizada, que parece uma biruta, é hasteada em mastros no quintal das casas, varanda de apartamentos e também sobre rios, desejando que os meninos cresçam saudáveis e fortes para superarem as correntezas contrárias da vida.

O conjunto de koinobori é colocado em mastros para comemorar o Dia dos Meninos Algumas semanas antes do início de maio, já se avista os koinobori por todo o Japão. O costume surgiu durante o período Edo (1603~1868), baseado em uma lenda chinesa sobre uma carpa que virou dragão após transpor a revoltosa corredeira do rio Ryumon.

O povo chinês atribui ao dragão mitológico a representação simbólica do poder: as pessoas que, destemidas, enfrentarem os obstáculos e dificuldades serão coroadas pelo sucesso. Sob essa influência, os japoneses, desejando aos seus filhos êxito na vida, içam bem alto os koinobori, para que, infladas pelo vento, imitem o movimento do intrépido peixe enfrentando a correnteza.

A carpa tradicional
As peças de koinobori também são dignas representantes da beleza e minúcia do artesanato japonês. A cidade de Kazo (Saitama) já foi a maior produtora e chegou a ter quarenta fábricas artesanais.

Eu fui visitar a Hashimoto Yakichi Shōten, que é o único remanescente da cidade de Kazo – e do Japão - que ainda produz o koinobori de maneira tradicional. Esse jeito de confeccionar a carpa em pano grosso de algodão e pintar à mão quase foi extinto décadas atrás, por causa do emprego de tecido sintético e do sistema industrial de impressão.

Takashi Hashimoto: artesão de koinobori em eterna busca da beleza Takashi Hashimoto, 69, a terceira geração proprietária da Hashimoto Yakichi Shōten, contou que para a empresa sobreviver e competir no mercado, também teve que assimilar a nova tendência porque ninguém comprava mais as peças tradicionais. “Naquela época, o tecido de nylon era sinônimo de modernidade e mais valorizado pelos consumidores”, explicou.

Porém, ele e seus empregados continuaram a produção artesanal quase como hobby, nas horas de folga. Como não era um produto para vender, ficaram livres e soltaram a criatividade, buscando a “beleza incondicional” como satisfação pessoal. Takashi chegou até a se inspirar em gravuras do famoso Hiroshige (1797-1858) e em pinturas de quimono.

Dessa maneira, os koinobori artesanais da Hashimoto Yakichi Shōten ganharam uma impressionante beleza - tanto quando vistos de perto como tremulando no ar - que não se compara com as peças “sintéticas”.

Passado um tempo, aos poucos foi aumentando o número de pessoas vindas de várias partes do país procurando aquele estilo antigo, que não se encontrava mais no mercado. E assim, a carpa tradicional voltou a nadar no céu.

O jumbo koinobori é tão grande que precisa da ajuda de um guindaste para ser erguido Festivais de Koinobori
No dia 3 de maio, será realizado o Festival Kazo Shimin Heiwa-sai, cuja estrela é um jumbo koinobori, uma carpa gigantesca que mais parece uma baleia. É um projeto da prefeitura local, que contou com a experiência de Takashi e sua equipe na criação e direção da confecção. A peça mede cem metros de comprimentos, levou quatro meses para ficar pronta e contou com a participação de 2 mil voluntários.

O jumbo koinobori é tão grande que precisa da ajuda de um guindaste para ser erguido (quatro vezes no dia, entre as 11h30 e 14h). Ele não fica no ar muito tempo.

Na cidade vizinha de Tatebayashi (Gunma) também acontece - entre 25 de março e 10 de maio - um outro evento imperdível, o Sekai-ichi Koinobori-no-sato Matsuri. Em 2005, ele foi registrado no Guiness Book como o maior do mundo em número de koinobori, com 5.283 peças.

Texto e fotos: Reginaldo Okada©
Coordenação e pesquisa: Satomi Shimogo

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A Hashimoto Yakichi Shoten continua uma tradição de mais de 100 anos produzindo koinobori pintado à mão. Na foto, o artesão Masaro HashimotoKoinobori inspirado pela xilogravura de HiroshigeTakashi Hashimoto: artesão de koinobori em eterna busca da beleza O tecido de algodão recebe a pintura básica
A pintura resiste mais de 20 anos, mesmo ficando sob sol e chuvaAtualmente, sete aprendizes jovens trabalham com afinco e prometem continuar a tradiçãoNormalmente, é hasteado um conjunto de três peçasTakashi mostra a obra de Hiroshige na qual se inspirou
A beleza que não tem nas peças industrializadas A beleza que não tem nas peças industrializadasA beleza que não tem nas peças industrializadasA beleza que não tem nas peças industrializadas
As salas do atelier tmabém ficam lindas com as peças secandoO Jumbo Koinobori sendo preparado para ir ao céuO JUmbo Koinobori é tao grande que precisa de um guindaste para ser erguidoO Festival de Tatebayashi está no Guiness Book. Na foto, a lagoa Kondo-numa
Fachada da Hashimoto Yakichi ShotenA Hashimoto Yakichi Shoten também vende miniatura de armadura de samurai, outro enfeite típico do Dias dos MeninosUma luxuosa miniatura de capacete de samuraiA Hashimoto Yakichi Shoten também vende miniatura de armadura de samurai, outro enfeite típico do Dias dos Meninos

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